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15/06/2015
Economia e Agilidade

Há pouco mais de três anos, a Intecom Logística assumiu a operação de distribuição do Roldão, segunda maior rede atacadista de capital nacional com forte presença na Região Sudeste do país. Responsável por reduzir o número de rupturas e imprimir efi ciência à distribuição logística, a Intecom teve o desafi o de alterar o modelo em prática naquele momento, descentralizado e com fornecedores em contato direto com as lojas.

O Roldão não foi o primeiro contato do integrador logístico com o universo do atacarejo, como ficou conhecido o atacado de autosserviço, que atende demandas de grandes volumes de itens de alimentação, higiene e limpeza tanto para consumidores finais quanto para restaurantes, supermercados de pequeno porte e empresas em geral. A Intecom é o operador do Walmart desde 2010, orquestrando a distribuição da rede de farmácias do grupo, a Bom Preço, na Região Nordeste. Quando a Intecom assumiu a operação do Roldão, que contempla a gestão de armazenagem e de serviços, o atacadista tinha menos lojas do que hoje, como explica a diretora Comercial e de Supply Chain do Roldão, Karina Tenório. “A necessidade de uma nova solução logística veio do crescimento do número de lojas e do aumento de faturamento da rede. À época, a retaguarda de algumas lojas ficou pequena para o movimento crescente”. Para melhorar a eficiência logística foi preciso incorporar a figura de um operador, que permitisse aumentar o sortimento no ponto de venda. “Para nós é crucial que o produto esteja na área de venda. Esse é o compromisso com o nosso cliente. Encontramos a Intecom, que se mostrou um excelente parceiro. Trabalhamos muito próximos, estamos sempre revendo o business para adaptá-lo à dinâmica diária. Eles são muito rápidos no ajuste da demanda”, diz Karina.

Centralização

A Intecom passou então a centralizar a operação da linha seca e de alguns itens de alta rotatividade na unidade de Barueri (SP), sendo responsável pelo agendamento e recebimento de cargas dos fornecedores e pela separação e entrega de mil itens nas 20 lojas da rede. O CD está situado em um condomínio logístico às margens da Rodovia Castelo Branco, com 17 mil m², onde a operação do Roldão ocupa algo em torno de 5 mil posições-palete. Diariamente, o CD da Intecom em Barueri recebe 20 carretas, em um movimento equivalente a 500 toneladas por dia, sendo 30% do volume total da linha seca que segue para as lojas; os outros 70% são entregues diretamente pelos fornecedores do Roldão. “Lidamos com os itens que classificamos estratégicos, ou seja, de alto giro e volumosos. Abastecemos as lojas com duas viagens por dia”, conta o gerente de Vendas e de Projetos da Intecom Logística, Rodrigo Boniaris.

A distribuição de mercadorias é feita por uma transportadora terceirizada, a Lemar Transportes. A primeira viagem acontece sempre considerando que o caminhão tem que estar na loja do Roldão antes das sete horas da manhã. O veículo não espera a conferência da carga, já que o CD é um fornecedor confiável, e segue para a segunda viagem. “Nem sempre foi assim”, admite Boniaris. “Havia desconfiança quanto ao nível de confiabilidade das entregas, mas com o passar do tempo, à medida que os níveis de ruptura e de divergência caíram, a operação passou a ser com conferência posterior”. Boniaris avalia que o desafio, no caso da dinâmica do varejo/atacado, é identificar quais fornecedores/cargas selecionar para o CD, uma vez que o processo de centralização reduz custos e diminui o índice de ruptura na gôndola. Na visão dele, a distribuição direta da indústria na loja é, na maioria dos casos, ineficiente e custosa. “Quando se centraliza a entrega em um ponto único, por exemplo, em um CD, o cliente se beneficia com o que chamamos de desconto logístico, que a própria indústria concede por não ter de entregar loja a loja. Essa estratégia pode reduzir em até 25% o custo da operação. No caso do Roldão, esse desconto logístico dado pelos fornecedores que giram no CD já paga a própria operação”, explica. O executivo diz que o objetivo da centralização é justamente reduzir custos operacionais, e a missão impõe desafios constantes. “A análise da operação tem que ser diária. É preciso ter um rigoroso controle sobre o agendamento, recebimento e sobre qual o mix de produtos que se quer no CD. Caso se opte por uma estratégia errada, por exemplo, com produtos de baixo giro, a armazenagem pode onerar a operação”. Karina concorda com Boniaris. “Quando o produto não fica estocado no CD, o custo da operação é bem menor. É uma solução bem interessante para o alto giro. O papel higiênico, por exemplo, entra e sai do CD. Não há armazenagem e não há custo. Com o operador conseguimos garantir o abastecimento nas gôndolas. Não posso revelar o índice de ruptura que tínhamos antes da parceria com a Intecom, mas posso afirmar que ele melhorou de 20% a 30%”, destaca a diretora, que revela analisar formas de aumentar a centralização no operador, considerando o aumento de volumes movimentados. A empresa planeja inaugurar, ainda em 2015, mais quatro lojas em São Paulo e em cidades do interior do estado. A projeção é crescer acima de dois dígitos em faturamento, a despeito dos rumos da economia.

Flow-through

Para conquistar a operação do Roldão, a Intecom fez investimentos importantes em tecnologia para capacitar seu Warehouse Management System (WMS) no suporte a estratégias como o flow-hrough para cargas de alta rotatividade. “O recebimento e a expedição acontecem quase que simultaneamente, sem passar na armazenagem, o que dá uma velocidade importante à operação e propicia economia ao Roldão, que não paga a armazenagem dessa carga, apenas o giro. Essa foi uma sugestão nossa a partir de uma percepção que tivemos ao analisar a operação no seu formato original. A forma tradicional de receber, armazenar e expedir não atenderia à demanda. A velocidade nessa operação é muito importante. Hoje ela é 24 horas de segunda a sábado, mas em datas de maior demanda a operação é ininterrupta e o CD acaba trabalhando no mesmo ritmo das lojas”, explica Boniaris.

O CD lida com quase 30 fornecedores do Roldão diariamente e o recebimento é feito doca a doca, com o suporte do WMS, desenvolvido pela Alcis, totalmente customizado para as operações da Intecom. “Como somos um operador multiplataforma, com operações para setores como o automotivo, varejista/atacadista alimentar, de fármacos, cosméticos, inclusive com montagem de kits, o WMS é um suporte muito importante para toda a gestão das movimentações feitas no CD, seja recebimento, armazenagem, expedição, controle de perecibilidade, shelf life e gestão da demanda por loja”, detalha o executivo. A Intecom conta com uma área de Planejamento e Controle da Operação (PCO), que lembra bastante o Planejamento e Controle da Produção (PCP) da indústria e que concentra e avalia as diferentes demandas dos clientes do operador, direcionando equipamentos e balanceando a operação do CD. Além disso, outro setor atende pelo controle do rastreamento da distribuição, acompanhando a entrega na loja e também qualquer transferência que seja necessária entre lojas, bem como o retorno de paletes.

Ressuprimento

A próxima etapa da operação é adotar o ressuprimento automático, que permitirá ao Roldão fazer uma gestão mais eficiente das compras. Com a solução, a demanda de cada loja surgirá no momento em que o produto passar no check out, replicando o estoque de fundo de loja no CD. Os estoques das lojas serão menores e o CD funcionará ao estilo do modelo just in time da indústria automotiva. A solução demandará investimentos tecnológicos. “Isto só será possível com um sistema que permita operar a cadeia como um todo e que seja robusto o suficiente para permitir fazer as compras de forma mais inteligente, evitando atender em demasia lojas com pouca demanda em detrimento de outras com alta demanda”, explica Boniaris. “Percebemos que atacar apenas uma parte do processo dá uma visão míope da cadeia. Quanto mais próximo se trabalhar da estratégia do cliente, maior será o benefício, que é mútuo. O CD é uma parte muito importante do processo do Roldão. Hoje, a ruptura é de menos de 0,5% dos itens que estão centralizados”, acrescenta.

A Intecom está atualizando o WMS para dar mais visibilidade às operações e melhorar os processos de produção do CD, trabalho que deve ser entregue em junho. A medida está em sintonia com a tendência do Roldão de adotar o ressuprimento automático, que deve demandar outros investimentos em tecnologia para finalizar a integração como um todo. “Adicionalmente, estamos fazendo investimentos específicos para a operação, melhorando as linhas de separação e ganhando flexibilidade, o que beneficiará todos os clientes. Só em tecnologia já investimos cerca de R$ 1 milhão na operação do CD”, conta Boniaris. As injeções de recursos visam também capacitar o CD para receber a operação com a linha refrigerada da Roldão, que deve acontecer em um futuro próximo. “Estamos estudando a possibilidade de atendê-los também nas cargas de temperatura controlada. É um segmento no qual a demanda está aumentando”, conclui o executivo da Intecom.

Valeria Bursztein

Revista Tecnologística JUN/2015